quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Usando nosso senso crítico

Cada vez mais fico estarrecida com a manipulação das informações acerca do conflito que se desencadeia na Faixa de Gaza. E mais grave ainda é o fato de a maioria das pessoas serem induzidas a concordarem com tudo, sem questionar e sem usar o mínimo de bom senso.

Abaixo, exponho um trecho de uma matéria produzida por Mauro Wainstock, diretor do Jornal ALEF: "Opinião sim, manipulação não!"

Karen Rachel

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... manchetes são incompatíveis com os textos que vêm em seguida, argumentos ambíguos são usados para convencer o inexplicável e a massificação da informação é comumente aplicada para transformar o absurdo em premissa. Quando se universaliza o discurso para produzir o desejado, quando a mentira se repete até que pareça verossímil... a verdade passa a ter dono e a história milhões de vítimas fatais.

Vamos a um exemplo prático. Leia esta matéria da agência de notícias Reuters, difundida para vários sites e jornais espalhados pelo mundo:


Ao espalhar folhetos alertando para ações militares naquela região, Israel está ameaçando ou prevenindo ? Algum outro país em guerra avisaria previamente aonde vai atacar ? Mas a mídia transforma o alerta em ameaça, a prevenção em genocídio.

Outra observação: o texto do folheto, escrito por Israel em árabe (para que não haja dificuldade na leitura ou eventual erro de interpretação), cita "túneis e arsenais dos terroristas". Claro, a guerra é contra o terror, não é contra o povo palestino. Então porque, embaixo, o texto da reportagem diz que "a tropa de infantaria trocou tiros com palestinos" ? Palestinos são civis; terroristas é que são alvos. Palestinos civis não tem armas. Ou tem ?

Outro exemplo, agora de outra agência de notícia internacional, a Efe:

PARTIDOS ÁRABES SÃO BANIDOS DE ELEIÇÕES EM ISRAEL
Medida foi proposta por partido ultranacionalista, que acusa legendas de não reconhecerm país como Estado

JERUSALÉM - A Comissão Central Eleitoral Israelense proibiu nesta segunda-feira, 12, dois partidos árabes de apresentarem suas listas para as eleições gerais de 10 de fevereiro, pela acusação de que não reconhecem Israel como Estado. Por 26 votos a favor, 3 contra e uma abstenção, a de seu presidente, a Comissão desqualificou para o pleito o Pacto Democrático Árabe (PDA), enquanto a lista unida dos partidos Ra'am e Ta'al também foi desqualificada, por 21 votos a favor, 8 contra e duas abstenções.


Se você verificar apenas a manchete da notícia, Israel será percebido como um país preconceituoso e ditatorial. Mas, ao ler o texto, verá que os árabes em questão pretendem disputar eleições em um país que - inacreditavelmente - eles mesmos não reconhecem como Estado, apesar de morarem lá. Quanta hipocrisia !!!

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"Hoje a opinião mundial chora por Anne Frank.
Mas a opinião mundial não a salvou"
Daniel Finkelstein, editor do jornal londrino "The Times"

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Em seu artigo "A opinião mundial não nos salvará", Daniel Finkelstein, editor do jornal londrino "The Times", afirmou: "Enquanto o Irã obtém uma arma nuclear e, com isso, o potencial de desencadear outro Holocausto contra os judeus, e a opinião mundial não faz nada, não estou tão certo de que os equívocos da opinião mundial sejam assim tão preferíveis aos de Israel".

O que fazer então ? Duas alternativas, ambas a longo prazo, envolvem a conscientização. A primeira, interna: a comunidade judaica precisa estar preparada culturalmente. É ter a capacidade de analisar as entrelinhas, de avaliar os bastidores, de entender o porquê, de questionar sempre o que lê, ouve ou assiste. É estar preparada para usar a inteligência, não apenas para proteger vidas físicas, mas também para preservar a imagem moral.

Paralelamente, precisamos "trabalhar" a mídia. Não esporádica e isoladamente, mas organizada e diariamente, transformando o convencimento em educação, o favor em argumentos lógicos, de forma a mostrar a importância de se retratar "o outro lado". Assim, a pluralidade de opiniões certamente virá atrelada à palavra democracia, embutindo o conceito de justiça, o nosso primeiro objetivo, e posteriormente à paz, nosso eterno desejo.



Fonte: Jornal Alef

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quinta-feira, 15 de janeiro de 2009


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