sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Sequestro em igreja evangélica


"Por que razão despreza o ímpio a Deus, dizendo no seu íntimo que Deus não se importa? Tu, porém, o tens visto, porque atentas aos trabalhos e à dor, para que os possas tomar em tuas mãos. A Ti se entrega o desamparado; Tu tens sido o defensor do órfão. Tens ouvido, SENHOR, o desejo dos humildes; Tu lhes fortalecerás o coração e lhes acudirás..." Salmo 10: 13, 14 e 17

Eu estava folheando uma revista em um consultório médico, quando me deparei com essa matéria. Então, pedi a revista emprestada e transcrevi seu conteúdo abaixo. Eis uma leitura necessária, a fim de que fiquemos mais atentos à segurança das crianças nas igrejas. Muitas vezes, temos uma sensação de segurança nos templos por estarmos cercados de irmãos. A questão é que as igrejas são lugares públicos, e no meio dos visitantes pode haver pedófilos e pessoas mal intencionadas.

Essa é uma história triste com desfecho feliz. É mais uma mostra de que milagres acontecem e que DEUS está atento à dor humana.



A jovem acima se chama Thaís Dias de Sousa. Na data dessa reportagem (julho de 2009), ela tinha 21 anos. Na infância, Thaís teve um livramento miraculoso, e Deus usou a Revista Marie Claire para tal libertação.

A época era abril de 1993, e Thaís tinha somente quatro anos. Ela tinha ido com os pais, José e Maria, juntamente com os irmãos, Fabiano e Felix, a um culto da igreja Deus é Amor, na região central de São Paulo. Enquanto pai e mãe oravam de olhos fechados, uma mulher se aproximou. Um tempo depois, Thaís manifestou o desejo de ir ao banheiro e, sem atrair a atenção dos pais, a mulher se ofereceu para levá-la, e não voltou mais.

Quando os pais se deram conta da situação, foi um desespero. Procuraram a criança por toda a igreja, pelos arredores, mas não havia nenhum sinal da menina. Registrado o desaparecimento, dias e meses se passaram e não havia nenhuma notícia. Além da polícia, José e Maria também faziam suas próprias buscas. Quando soube de um grupo de crianças que vagavam sozinhas em uma praça de São Paulo, José foi conferir se Thaís não estaria entre elas. A ausência de Thaís era uma marca dolorosa daquele lar.

O sofrimento dessa família foi mostrado em uma reportagem da Marie Claire sobre crianças desaparecidas, na publicação de fevereiro de 1995. José e Maria posaram para uma foto, segurando um retrato de Thaís. Em maio daquele ano, a redação recebeu um telefonema promissor: uma moradora da região da Luz, centro de São Paulo, lera a reportagem e alegava ter visto Thaís. Ou melhor, ter também convivido, pois sua casa, que era também uma pensão, tinha abrigado Thaís juntamente com uma mulher que se apresentava como mãe dela. Existia até um filme caseiro, feito em dia de festa na pensão, em que ambas apareciam. Entretanto, havia um grande obstáculo: a mulher e Thaís haviam se mudado, e ninguém sabia ao certo para onde.

Com essa nova e surpreendente pista, a Polícia intensificou as investigações, e no dia 15 de maio de 1995, Thaís foi encontrada por investigadores em uma favela da zona norte de São Paulo.

A sequestradora, Patrícia Dias dos Santos, foi presa. Dizia ter sido dançarina de boate e prostituta. Confessou o crime e disse que havia roubado Thaís para vendê-la. Era uma encomenda de dois sujeitos, a quem conhecia só por codinomes, na boate em que trabalhava. Porém, com medo, desistiu do negócio. Thaís, então, ficou com a sequestradora que, na época, disse não saber como devolvê-la. Acabou aproveitando a oportunidade de ter uma criança nas mãos para arrancar dinheiro de um ex. Argumentando que a menina era filha dele, pois estava grávida quando romperam, pediu ajuda para cria-la. Por um tempo, conseguiu seu intento. Pelo sequestro, Patrícia foi condenada a cinco anos de reclusão, pena que, por causa de uma apelação da defesa, foi reduzida a quatro anos e nove meses.

O título da reportagem “Um sequestro, 14 anos depois” refere-se ao fato de que a equipe de reportagem da Revista Marie Claire foi entrevista-la após quase uma década e meia daquele que foi o dia mais marcante para a família Sousa. Thaís, então, pôde relatar alguns detalhes do período em que esteve com a sequestradora:

Nem sei o que seria de mim se eu não tivesse sido encontrada. Acho que seria uma largada na vida, talvez moradora de rua. Ou será que ela me levaria para me prostituir? Às vezes, fico me perguntando se, depois que tivesse uma certa idade, teria coragem de enfrentá-la e ir atrás da minha família. Naqueles dois anos, eu não me lembrava do meu endereço nem do meu nome inteiro, só sabia que era Thaís. Mas nunca me esqueci da minha mãe, do meu pai, dos meus irmãos. Então, ficava me perguntando: “Será que volto para casa um dia?” Isso, seu eu estivesse viva, não é? Na época, diziam que pegavam crianças para tirar órgãos. E se ela tivesse me vendido mesmo, o que podia ter acontecido comigo, onde eu estaria hoje?

Lembro-me de tudo. Na igreja, ela mexeu no meu cabelo, brincando comigo. Meu pai e minha mãe estavam orando de olhos fechados. Aí falei que queria ir ao banheiro e ela disse: “Eu levo”. Falou baixinho para o meu irmão. Quando a gente saiu do banheiro, ela disse: ”Vamos comer um lanche lá fora”. Eu respondi: “Não quero, vamos voltar lá com minha mãe”. Ela insistiu: ”Vamos lá fora só um pouquinho, que eu já trago você para sua mãe”. Sei que ela foi me levando.

Da igreja, fomos para a casa da Bete (a autora da denúncia à Marie Claire). Bete tinha uma pensão e um bar, e conhecia muita gente. Patrícia era prostituta e andava por lá. Ela disse à Bete que eu era filha dela com o ex e que tinha ido me pegar no orfanato, onde havia me deixado. Ficamos morando na pensão da Bete por um tempo.

Quando fiquei só com a Patrícia, abri o bocão. Chorava porque queria minha mãe. Aí ela começou a dizer: “Eu sou sua mãe e estou aqui”. Contou que quem eu achava que era minha mãe verdadeira é que tinha me roubado dela. Agora ela tinha me pego de volta. No outro dia, pedi de novo: “Quero minha mãe”. Ela repetiu essa história. Aí foram passando os dias e nada da minha mãe, nado do meu pai, nada dos meus irmãos. Na frente dos outros, ela me tratava bem. Mas quando a gente estava sozinha...

Se eu fizesse qualquer coisinha errada, já era motivo para ela me espancar. Se sumia alguma coisa, a culpa era minha, então ela me batia. Se ela chegasse e encontrasse a casa desarrumada, eu também apanhava. Uma vez, a gente foi para a casa de umas amigas dela e eu contei para uma o que tinha acontecido. Disse que queria minha mãe. Aí a mulher chamou a Patrícia e contou o que eu tinha falado. Mais tarde, levei uma surra, até cortou minha cabeça.

Nunca mais falei nada da minha história. Tinha medo de apanhar. Ela me chamava de Miriam, e eu tinha de chama-la de mãe. A gente morou uns meses na Bete, depois fomos para outra pensão, depois no fundo de um bar, depois noutra pensão... Quando ela saía para trabalhar à noite na boate, me deixava trancada no cômodo. Sozinha, eu abria a janela e ficava imaginando meu pai chegando, minha mãe chegando...

Quando ela me levou para o ex dizendo que eu era filha dele, ele acreditou. Me deu de presente uma bicicleta Caloi, pequenininha, com rodinhas. Mas ela vendeu, acho que para usar drogas. Creio que era crack, porque me lembro de ver um cachimbo. Ele também comprou sapato e roupa para mim. O sapato que eu usava na delegacia, quando fui encontrada, foi ele quem me deu. Mas, um dia, ele pediu o exame de DNA. Foi aí que a gente saiu da Luz e foi morar numa favela, na casa de uma amiga dela. Acho que a Patrícia ficou com medo de ele descobrir que não era meu pai.

Foi na favela que me acharam. Os policiais foram primeiro à casa da vizinha. Ela não disse nada que me conhecia e correu para avisar o marido da Dora, a dona da casa onde eu estava, que a polícia tinha ido lá atrás de mim e da Patrícia. Sem saber o que era, ele mandou que eu me escondesse. Patrícia não estava em casa, nem Dora. O marido dela não sabia de nada. Os investigadores falaram para ele ligar se soubesse de qualquer coisa depois. Quando Dora chegou, o marido contou a história que os policiais tinham contado. Aí ela me perguntou: “O que estão dizendo é verdade?” Comecei a chorar e disse que sim. Ela não sabia de nada, achava que eu era filha da
Patrícia. Então, ligou para a polícia. Morro de vontade de ir atrás da Bete e da
Dora para agradecer o que fizeram.

Os investigadores foram me buscar, logo depois prenderam a Patrícia. Na delegacia, quando meus pais e meus irmãos chegaram, a primeiro coisa que eu vi foi minha mãe. Corri para abraçá-la. Aquele foi o dia mais bombástico da minha vida, o mais marcante, o mais feliz. Reencontrei minha família. Quando cheguei em casa, achei tudo do mesmo jeito, só faltavam minhas bonecas. Minha mãe e meu pai deram minhas coisas porque não aguentavam ficar olhando enquanto eu estava desaparecida. Tinha um monte de gente me esperando na porta de casa. Eram vizinhos, gente de Santo André querendo me conhecer porque tinham visto a reportagem na TV. Parecia festa. Esse movimento continuou por uns três meses.

Eu tinha feito sete anos na mesma semana que fui encontrada. Sou de 12 de maio e fui achada dia 15. Logo fui matriculada na escola e comecei a estudar depois das férias. Fiz só meio ano, mas não repeti. A escola era aqui na frente de casa e eu levava vida normal. Fiquei uns dois anos indo a uma psicóloga. Ela mandava eu desenhar como era minha casa, conversava, perguntava coisas. Quase sempre meus irmãos iam também. A gente brincava, fazia desenhos juntos.

Eu me sentia culpada. Achava que meus pais sofreram por culpa minha. Eu não devia ter aceitado ir ao banheiro com a Patrícia. De vez em quando, meu pai me perguntava alguma coisa sobre o tempo que fiquei desaparecida. Queria saber se a Patrícia me dava comida, se me batia... No começo, tinha medo de falar. Mas depois, comecei a me sentir segura e fui me soltando.

Por tudo o que aconteceu, fiquei muito ligada à família. (...) Dormi com minha mãe até os 16 anos porque tinha medo de ficar sozinha. Até hoje bate uns medinhos.

Thaís prossegue seu relato, confessando que essa experiência a tornou uma mãe superprotetora. Aos 18 anos, ela engravidou do namorado, com quem estava havia dois anos. Seu filho, Bruno Júnior, demorou a aprender a se sentar, porque ela o cercava de cuidados o tempo todo. Realmente, é de se esperar uma atitude assim, tendo em vista todo o drama pelo qual ela passou.

Conto aqui essa história para que pais e mães redobrem a vigilância em relação aos filhos. Vivemos em um tempo muito difícil, no qual as crianças são alvos fáceis. É preciso muita cautela quando as crianças estiverem em lugares públicos, até mesmo dentro de igrejas – essa história é uma prova disso.

Karen Rachel
Crente no Senhor Jesus desde 1982, esposa, mãe, administradora - de formação e profissão - e gestora dos blogs Repare Nisso e Tips n Friends. Esses espaços virtuais abordam temáticas cristãs, orientações diversas e generalidades.

Print or Generate PDF

3 comentários:

Anônimo disse...

Gostei da publicação do comentário pois assim, as mães terão mais perto de si seu filhos ensinand-os a buscarem a Deus na Igreja.

Anônimo disse...

Parabéns, poucos tem essa preocupação, principalmente nos interiores do nosso Estado onde ainda existe um pouco de paz, quanto a violência excessiva. Posso colocar essa notícia no nosso jornal AIBIC (é distribuido entre as Igrejas Bíblicas do Ceará)? responda pelo meu e-mail: pastorjosewelington@gmail.com, eu gostaria de extender esse cuidado a outros também.

Darlene Kids disse...

Obrigada por compartilhar....é realmente muito importante lembrar que todo cuidado é pouco.

Postar um comentário

Comentário









Certidão Criminal Negativa
Dicionário Bab.La