terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Amizade com a motivação certa


Alguns problemas não deveriam acontecer em meios que têm a Bíblia como livro-guia. Vários princípios ordenados pelo Senhor Jesus apontam o caminho para relacionamentos saudáveis e construtivos. Porém, devido a nossa pecaminosidade, distorções e conflitos acontecem. E por meio deles, nosso amor ao próximo é testado, e principalmente o nosso amor ao nosso Salvador.

Há um tempo atrás, uma irmã em Cristo relatou que, na igreja que estava frequentando, ela sentia que suas amigas estavam se reunindo sem convidá-la. E mais: isto estava acontecendo porque tinha chegado recentemente uma nova integrante no grupo que, segundo ela, estava promovendo um afastamento entre ela e as outras irmãs da igreja. Conversamos sobre alternativas para driblar essa situação e depois fiquei pensando na importância das amizades na vida cristã.

Para termos uma noção das diretrizes bíblicas a respeito de amizade, podemos começar com os seguintes versículos:

A isto Ele [Cristo falando] respondeu: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e de todo o teu entendimento; e: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.
Lucas 10:27

Nada façais por partidarismo ou vanglória, mas por humildade, considerando cada um dos outros superiores a si mesmo.”
Filipenses 2:3

Se nós tivermos esses 2 versículos bem presentes em nossa mente, e em nosso coração, dificilmente tomaremos atitudes indevidas, ou teremos expectativas irreais em nossos relacionamentos.

Primeiro, quando a gente ama a Deus de todo o nosso coração, de toda a nossa alma, forças e entendimento, temos a consciência de que somente Ele pode suprir todas as nossas necessidades. Só Ele está disponível 24 horas por dia para nos ouvir, só Ele vai nos apoiar em qualquer situação de perigo ou tristeza em que estejamos, e só Ele é perfeito para nunca nos decepcionar. Então, o esperado é que nos agarremos a Ele nas nossas dificuldades, antes de qualquer pessoa.

E para amar o nosso próximo como a nós mesmos, tratando-o como se fosse superior a nós, precisamos primeiro purificar nossos corações de alguns pecados como a inveja, a cobiça, a falta de amor, os desejos de vingança, e toda sorte de maus pensamentos que atingem a nossa mente.

O problema principal não é surgirem esses sentimentos na nossa mente, o grave é quando o abrigamos. Quando identificamos algo ruim em nossos corações, a primeira atitude a ser tomada é orar e pedir para o Senhor mudar aquele sentimento. Quando alguém que não gostamos muito, uma irmã em Cristo ou uma certa colega de trabalho, obtém destaque e honra em algo que fez, é possível que nos chegue ao coração um sentimento de inveja e raiva. Cabe a nós rejeitarmos esse sentimento, e pedir ao Senhor para termos a atitude correta, para assim podermos felicitar honestamente aqueles que estão sendo bem sucedidos no que fazem.

Tem um pensamento, de autoria desconhecida, que diz “o melhor exercício para o coração é curvar-se e erguer outras pessoas”.

É um passo de confiança, é um passo de muita fé, e que tira o foco da amizade como uma forma de resolver os meus problemas, de uma auto-satisfação, para ser uma forma de resolver o problema dos outros, pois um Ser Superior cuidará dos meus. É como se Deus dissesse: “Supra as necessidades dos outros, que Eu vou suprir as suas”. É um foco bem diferente do que prega o mundo, que sempre enfatiza que as necessidades do indivíduo deve vir em primeiro lugar em detrimento das necessidades dos demais.

E como fazer isso na prática? Bem, tudo nessa vida, para ser bem feito, precisa de estudo. Para você exercer qualquer profissão, é preciso 1, 2, 4 anos de estudo, em cursos preparatórios ou em faculdades. Do mesmo jeito, para sermos bons amigos, precisamos estudar. Em primeiro lugar, a Palavra de Deus, e também nos atualizarmos com o conhecimento gerado no nosso tempo.

Vamos começar pela Palavra de Deus: I Co. 13:4-7

Essa passagem nos alerta que devemos controlar tudo de ruim que pode emanar de nossos corações. Às vezes, temos consciência do que estamos fazendo, por exemplo: há momentos que você pode decidir não ajudar a alguém, não facilitar um pedido que alguém, irmão ou não, esteja lhe fazendo, conscientemente. Depois, eventualmente a gente percebe que não agiu à altura do que Cristo gostaria que fizéssemos, e caberá a nós tentar consertar o feito.

Devemos lembrar o que está escrito em Pv. 3:27 e 28

Mas, às vezes, agimos inconvenientemente sem perceber. Em um culto de oração que fui, eu estava em uma roda de irmãs e uma delas estava relatando o caos do sistema de saúde em Fortaleza. Os hospitais, mesmo os particulares, estão com uma demanda acima da média. Ela mencionou o exemplo de um rico empresário que passou mal e foi para o melhor hospital de Fortaleza. Ele não pôde se internar, porque o hospital estava com todos os leitos ocupados. Mesmo com dinheiro, ele não tinha o tratamento adequado que precisava. E, então, a irmã acrescentou: “Se isso está acontecendo com os ricos, imagine os pobres que precisam dos hospitais públicos”. Só que na nossa roda, que era composta de 6 irmãs, tinha uma irmã que não tinha condições de ter plano de saúde, e realmente dependia do serviço público. Com certeza absoluta, aquela que estava relatando o caso não tinha a intenção de humilhar a irmã que enfrentava dificuldades financeiras. Porém, faltou atenção. Pois bem, uma boa amizade cristã deve ser exercida sempre em alerta, procurando estar sensível à situação de quem está por perto.

Sobre agir inconvenientemente, penso que é um princípio que também deve estar em nossa mente quanto travamos contato com aqueles que não conhecem a Palavra de Deus. Na verdade, até mesmo em nossas igrejas, muitas vezes encontramos crentes que não aplicam os princípios bíblicos em seu cotidiano, e não raro se tornam más influências. Eis mais uma razão para estarmos 'em dia' com a nosso devocional, pois assim estaremos mais equipadas para termos um bom juízo acerca de ideias a serem discutidas. Más influências podem trazer sérios danos ao nosso proceder, vejam a história de Diná em Gênesis 34:1,2.

Voltando à questão do preparo para ser uma boa amiga cristã, é interessante ler livros e até ver matérias jornalísticas sobre boas maneiras e formas de ser agradável e útil aos outros. Zelar pelos relacionamentos é uma boa estratégia para se melhorar o testemunho pessoal. Tanto para crentes como para não crentes, um bom comportamento resplandece para a glória de Cristo. Em Romanos 12:18, Paulo adverte: “se possível, quanto depender de vós, tende paz com todos os homens...”. Interessante que, conhecendo ou não esse versículo, Thomas Hobbes, um pensador inglês que viveu no século XXVII, escreveu: “A importância das boas maneiras não está no jeito ceta de saudar o outro ou limpar os dentes, mas no fato de possibilitar que os homens vivam juntos e em paz”.

É recomendável reciclarmos nossos conhecimentos sobre boas maneiras. Por exemplo, quando vi uma matéria na Revista Época sobre etiqueta nas redes sociais, me interessei em comprá-la, e aprendi, dentre outras coisas, que não é adequado “curtir” uma notícia triste no Facebook. E eu já vi isso acontecer quando uma pessoa relatou que um de seus animais de estimação tinha morrido, e alguns “curtiram” o comentário, quando deveriam “comentar” e se solidarizar de uma forma mais delicada nessa circunstância.

Nessa matéria, a ênfase que é dada é no exercício do respeito mútuo. Basicamente, Mateus 7:12 mostra a atitude certa:

Tudo quanto, pois, quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós também a eles; porque esta é a Lei e os Profetas.

Portanto, finalizo desejando que o Senhor nos torne boas amigas. Que estejamos dispostas a praticar o amor visando principalmente o benefício do próximo, e não o nosso próprio. E que tenhamos o coração aberto para acolher novas amizades, quando sentirmos que alguém deseja ser nossa amiga, pois certamente o Senhor Jesus se agradará de nossa atitude. E também: que nossas expectativas sejam razoáveis, sempre lembrando que somente de Cristo podemos ser plenamente satisfeitas em termos de relacionamento, e dEle sim podemos esperar galardões inimagináveis esperando por nós na glória!!

Karen Rachel
Crente no Senhor Jesus desde 1982, esposa, mãe, administradora - de formação e profissão - e gestora dos blogs Repare Nisso e Tips n Friends. Esses espaços virtuais abordam temáticas cristãs, orientações diversas e generalidades.
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terça-feira, 11 de fevereiro de 2014


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